Há textos que, ou pela sua simplicidade ou pela sua mensagem implícita, nos causam encantamento.
Aqui se materializarão pela palavra esses «textos encantadores» que de algum modo me foram e vão encantando.
O primeiro é uma pequena e encantadora fábula de Esopo, famoso fabulista grego que viveu por volta do ano 550 a.C., que através da sua simplicidade se revela cheia de actualidade, na moral que encerra. E apesar das fábulas de antigamente pertencerem à infância do conto, elas continuam a manifestar-nos todo o seu encanto, para nosso encantamento.
O HOMEM BOM, O FALSO E OS MACACOS
Dois homens, dos quais um era Bom e o outro era Falso, viajando juntos chegaram ao país dos Macacos. O rei destes animais mandou que eles fossem detidos e trazidos à sua presença.
— O que dizem de mim nos outros países? — perguntou-lhes.
O homem Falso respondeu-lhe desmanchando-se em elogios, dizendo que ele parecia ser um excelente monarca, sábio e poderoso, e que a sua corte estava cheia de grandes cavaleiros e valorosos capitães. O rei Macaco deliciou-se muito com tais lisonjas e ordenou que aquele homem ganhasse uma recompensa.
Considerando o homem Bom que o Falso conseguira mercês do monarca dizendo mentiras, acreditou o infeliz que seria ainda mais premiado se dissesse a verdade. E em seguida, perguntado pelo rei o que achava dele e dos que o rodeavam, o Bom respondeu sinceramente:
— Não sois todos nem mais nem menos do que macacos.
Indignado, o soberano mandou que tirassem a vida ao homem Bom.
Assim caminha o mundo comum. Quem ama ser lisonjeado não aprecia a verdade.
Esopo Fábulas (Grécia, c. 550 a.C.)
Sem comentários:
Enviar um comentário